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Segundo Passo

passo trêspor Dale e Juanita Ryan

Quando cheguei ao Segundo Passo, percebi que, embora fosse um cristão comprometido e realmente acreditasse em Deus, meu problema era que, em alguns aspectos muito importantes, eu estava vivendo uma existência frenética e altamente estressante como palestrante e escritora cristã profissional. Eu sabia que algo não estava certo: eu estava ensinando sobre graça e liberdade, por um lado, e minha vida era ansiosa, estressante e excessivamente comprometida, por outro. Mas eu estava em negação e não conseguia ver o quão bizarra era a contradição. As pessoas neste programa me ajudaram a perceber que qualquer coisa que eu faça ou pense que seja destrutiva para mim ou para meus relacionamentos com outras pessoas ou com Deus é uma espécie de insanidade, especialmente quando continuo fazendo isso mês após mês.

—J. Keith Miller, Uma Fome de Cura

De fato, são poucos os alcoólatras praticantes que têm a mínima ideia de quão irracionais são, ou que, vendo sua irracionalidade, conseguem suportar a situação. Alguns se autodenominam "bebedores problemáticos", mas não suportam a sugestão de que, na verdade, são doentes mentais. São instigados nessa cegueira por um mundo que não compreende a diferença entre beber com sanidade e alcoolismo. "Sanidade" é definida como "saúde mental". No entanto, nenhum alcoólatra, analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, seja a destruição dos móveis da sala de jantar ou sua própria fibra moral, pode reivindicar "saúde mental" para si mesmo.

–Anônimo, Doze Passos e Doze Tradições

No Primeiro Passo, começamos a encarar a verdade sobre as limitações do nosso próprio poder. Reconhecemos que nossas tentativas de confiar apenas em nós mesmos tornavam nossas vidas incontroláveis. A próxima pergunta é óbvia: se não somos poderosos o suficiente para fazer o que precisa ser feito, que esperança há? Onde podemos obter os recursos de que precisamos para viver vidas mais sãs? O Segundo Passo dos Doze Passos sugere que a solução para os nossos problemas está em um Poder maior do que nós mesmos:

Chegou a acreditar que um Poder maior do que nós poderia nos restaurar à sanidade.

Algumas coisas são fáceis de acreditar. É fácil para a maioria de nós acreditar que Deus nos punirá. É fácil acreditar que Deus ficará descontente conosco ou que Deus não gosta de nós. O que é difícil para muitos de nós acreditar é que Deus é mais poderoso do que nós e que Deus está pronto e apto a usar Seu poder para nos ajudar. Por uma variedade de razões, muitos de nós temos crenças distorcidas sobre Deus. Podemos temer que Deus não seja muito poderoso — que Deus seja fraco, passivo ou desinteressado em nossas vidas. Ou podemos acreditar que Deus é poderoso, mas tememos que Ele use Seu poder para nos ferir ou nos punir. Essas distorções dificultam a aceitação do poder de Deus — ou da Sua disposição — de nos restaurar à sanidade. No Passo Dois, iniciamos o processo de aprendizado de que o poder de Deus está a nosso favor, não contra nós.

Segundo passo: um olhar mais atento

Vim a acreditar

Acreditar significa depositar fé e confiança em algo ou alguém. No primeiro passo, começamos a encarar a verdade sobre nossas vidas. No segundo passo, passamos a acreditar em algo ou alguém maior do que nós mesmos. É importante lembrar que Deus honra e responde ao menor passo de fé — mesmo que ele venha acompanhado de incerteza e incredulidade. Não é necessário, no segundo passo, ter certeza absoluta e total confiança. Jesus disse que a fé, mesmo que pequena como um grão de mostarda, pode mover montanhas (Mateus 17:20)! Podemos não ter muita fé ou confiança quando entramos no jardim de infância espiritual, mas Deus pode fazer muito com o que temos. Jesus enfatizou essa verdade quando respondeu com compaixão a uma pessoa que veio a ele em busca de ajuda, dizendo: “Eu creio; ajuda-me na minha incredulidade!” (Marcos 9:24).

Um Poder Maior que Nós

O Passo Dois introduz uma verdade espiritual fundamental: Existe um Deus, e esse Deus não sou eu! No Passo Um, vimos os resultados dos nossos esforços para gerir as nossas vidas com as nossas próprias forças. Agora podemos começar a procurar fora de nós mesmos a ajuda de que precisamos. Lembram-se da parábola do filho pródigo? (Ver Lucas 15:11-32.) O filho pródigo passou a acreditar que precisava de um Poder maior do que o seu, então decidiu voltar para casa, para o seu pai. Ele esperava que o pai o rejeitasse e o tratasse como um escravo. Ele não sabia muito sobre o pai; certamente não compreendia o amor e a compaixão paternos. Mas o filho tinha fé suficiente para iniciar a jornada de volta para casa. Uma fé como a do filho pródigo é tudo o que precisamos no Passo Dois. Nesta fase da jornada, não precisamos de teologia sofisticada nem de anos de estudo bíblico. Tudo o que precisamos é de fé suficiente para nos impulsionar em direção a um Poder maior do que nós mesmos. Mais adiante na jornada, aprenderemos muito mais sobre o Poder que nos ajuda a fazer esta mudança.

Poderia nos restaurar

Note que o Passo Dois nos convida a acreditar que a restauração pode acontecer. O Passo Dois não exige que acreditemos que seremos restaurados. Talvez ainda não sejamos capazes de imaginar isso. Precisamos apenas acreditar que isso pode acontecer — se um Poder superior ao nosso estiver disponível. É por isso que o Passo Dois às vezes é chamado de Passo da “esperança”. Ele introduz a possibilidade de restauração da sanidade por meio de um Poder superior a nós mesmos.

A esperança é um tema central da Bíblia. Repetidas vezes ao longo da história bíblica, o povo de Deus se viu em situações difíceis e precisou reencontrar a esperança no poder de Deus. O salmista viveu várias dessas situações impossíveis e fala sobre o poder de Deus para restaurar:

O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em pastos verdejantes, guia-me para águas tranquilas e restaura a minha alma. (Salmo 23:1-3)

No Salmo 107, o salmista fornece outra imagem dramática de Deus restaurando a liberdade do seu povo:

Eles clamaram ao SENHOR em sua angústia, e ele os livrou de suas aflições. Tirou-os das trevas e da mais profunda escuridão e quebrou suas correntes. Deem graças ao SENHOR por seu amor infalível e por suas maravilhas para com os homens, pois ele quebra portas de bronze e despedaça ferrolhos. (Salmo 107:13-16)

Para a sanidade

Nos programas de Doze Passos, a insanidade é frequentemente definida como "fazer a mesma coisa repetidamente, esperando um resultado diferente". Por exemplo, alguns de nós usamos substâncias que alteram o humor (álcool, drogas, nicotina, medicamentos controlados, etc.) ou comportamentos controladores (manipulação, ameaças, evitação, etc.) como nossa solução padrão para os problemas da vida. Mas o resultado é sempre previsível: obtemos mais do mesmo caos. A insanidade, neste contexto, pode ser aplicada a qualquer um de nós — mesmo que não estejamos lutando contra um vício. Todos nós tendemos a repetir os mesmos tipos de comportamentos autodestrutivos repetidamente, esperando resultados diferentes. O cerne do Segundo Passo é chegar à crença de que existe um Poder que pode nos ajudar a encontrar uma maneira diferente e mais sã de viver. As coisas podem melhorar, podemos ser curados e nossas vidas podem se tornar mais pacíficas e gratificantes.